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Leia ao som de:
Ed Sheeran - All of the stars


Naquele sábado, a gente foi passear um pouco. Já era fim de tarde, o sol estava indo embora e as luzes dos postes começaram a substituir a iluminação natural. A noite estava quase começando e nós estávamos lá, sentados no banco daquela praça calma – uma das raras que ainda existiam por aqui. Não só a praça, mas o dia também estava super calmo. Era um daqueles dias em que eu me desligava de tudo, menos dela.


Eu não faço muito o tipo do cara “Carpe Diem”, sabe? Mas aquele dia foi um desses em que eu vivi o momento, nada aquém ou além, apenas aquele momento. Não pensei no ontem nem no amanhã, apenas vivi o presente, mesmo com diversos problemas sem solução me cercando.

Mesmo não estando em uma daquelas paisagens lindas ou algum ponto turístico romântico, tudo estava perfeito do jeito que estava. O pôr do sol, – que não dava pra ver direito, mas estava lá – ela falando sobre o trabalho e eu olhando seus olhos, seus lábios.

Ela provavelmente não sabia, mas era justamente nesses momentos em que eu a admirava, em que eu percebia o quão linda ela era, que minha certeza sobre amá-la se confirmava cada vez mais.

E não falo apenas da beleza física. Eu amava até mesmo o jeito que ela tinha com as palavras, até quando ela falava sem pensar direito. E não tenho vergonha de admitir, ela era muito mais inteligente que eu e, com certeza, sabia se expressar bem melhor que eu. Mas ainda assim, conseguia ser simples, não tinha “frescura” com nada e, acima de tudo, me amava.

Já era noite quando ela havia parado de falar... sim, ela também falava pra caramba, mas eu gostava de escutar, enquanto respondia algumas perguntas complexas com um “umhum” ou um “amham”, que eram como combustíveis pra que ela falasse um pouco mais.

Antes de irmos embora, eu pedi pra tirarmos uma foto juntos. Eu queria guardar uma lembrança daquele momento e daquele amor comigo. Então ela encostou a cabeça no meu ombro e logo na primeira tentativa – o que é muito difícil de acontecer – a foto ficou bonita. Eu gostei muito e ela também.

Ao deixá-la em casa, dei um abraço apertado e disse baixinho em seu ouvido: “Te amo”. Ela me respondeu com um beijo carinhoso e sem dizer tchau ou adeus, apenas com um daqueles olhares que quase gritam “eu te amo”, nos despedimos. Eu só não fazia ideia de que seria “para sempre”.

Aquela foi a última vez em que nos falamos. Aquela foi a última foto que tiramos. Aquele foi o meu último “eu te amo”. 

Ela se foi no dia seguinte, antes mesmo de trocar alguma palavra comigo.

Se eu pudesse voltar no tempo, teria aproveitado mais momentos simples como aquele que tivemos naquela tarde de sábado. Mas eu me preocupava demais com os problemas do cotidiano, do trabalho, e acabou que eu tive pouquíssimos momentos como aquele junto dela. Um arrependimento gigantesco que ainda hoje dói no peito.

Eu deveria ter me “desligado” do meu mundo mais vezes para vivermos mais no nosso mundo. Ah, Deus, como eu queria ter outra chance pra fazer tudo certo. Como eu queria...




- Allison Christian Freitas

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